ORIGEM DO KUNG FU/WUSHU

Historicamente falando, alguns pesquisadores afirmam que o Wushu, foi mencionado pela primeira vez na China por volta de 2700 a. C.. Essa arte teria sido utilizada pelo exército imperial para combater rebeldes que se recusavam a cumprir ordens imperiais. Segundo esses historiadores, os registos encontrados descrevem várias batalhas com dados precisos de acontecimentos, nomes e lugares. O exército imperial teria facilmente acabado com os revoltosos utilizando técnicas de combate até então nunca vistas. Essas técnicas imitavam gestos dos animais e era incrivelmente eficazes com as diversas armas. Essa arte passou a ser conhecido como Wushu.

Outro relato, diz que dificilmente se descobrirá de onde vem o Wushu, porque o Imperador Thin Tchi Luang Ti queria ser o primeiro Imperador da história da China e mandou queimar todos os registos e documentos antecedentes a ele. Monumentos e estátuas também foram destruídos, para que a cultura chinesa começasse a partir deste Imperador, evidentemente, nem tudo foi destruído e muitos conseguiram esconder alguns documentos deitando a baixo todas as pretensões deste Imperador.

Existem também relatos de que essa arte foi trazida para a China por Bodhidharma (Damo em Chinês), monge budista da Índia (28º Patriarca do Budismo Indiano e 1º Patriarca do Budismo Chinês), esta preposição, opinião muito influente, foi provada ser falsa por pesquisadores de Wushu, para lá houve um monge chamado Damo mas não sabia nada sobre boxe Chinês.

A lenda conta que Damo, encontrou uma caverna nas profundidades onde se instalou e entrou em profunda meditação de frente para uma rocha durante nove anos. Muitas lendas narram as práticas meditativas de Damo; diz-se que ele podia ouvir o caminhar das formigas subindo as rochas da caverna e que para não entrar em sono profundo, havia cortado suas pálpebras. No fim dos nove anos, a sua posição constante escavou um buraco na rocha onde permanecia sentado, o que fez com que Fang Chang (Grão-Mestre do Templo de Shaolin), não mais recusasse sua entrada no Templo. Assim, Damo tornou-se o primeiro sucessor (patriarca) do clã Chan na China. Quando Damo se uniu aos monges, observou que estes não se encontravam em boas condições físicas. Eles gastavam muitas horas por dia curvados sobre as mesas onde transcreviam textos manuscritos. Consequentemente os monges de Shaolin gastavam toda a energia necessária para executar até mesmo as mais básicas práticas de meditação budista. Damo controlou as suas fraquezas ensinando-os exercícios de movimentação, criados para aumentar o fluxo do Chi e a força.

Estes movimentos foram baseados do Yoga Indiano (principalmente Hatha e Raja) que associava movimentos de 18 principais animais encontrados na fauna e na mitologia indo-chinesa (ex: tigre, garça, leopardo, águia, dragão, etc…). Damo também somou aos exercícios respiratórios e formas de uma Arte Marcial que existia na Índia.

Os ensinamentos de Damo foram mais tarde enriquecidos e refinados tornando os mestres Shaolin mais poderosos, estes foram os verdadeiros contributos de Damo ao Wushu de hoje em dia, e não o que se pensava ter sido o fundador do Wushu.

Em 1644 d.C., os Manchus vieram ao poder (Dinastia Ching 1644-1911 d. C.). Muitos dos oficiais provenientes da dinastia anterior (Dinastia Ming) encontraram refúgio no Templo de Shaolin, os Manchus depois de várias batalhas destruíram o Templo de Shaolin, onde somente cinco mestres escaparam: uns foram para o Norte e ensinaram os Mongóis e outros foram para o Sul.

Mesmo com a destruição do primeiro Templo de Shaolin, outros surgiram dando origem a outras ramificações que se espalharam pela China e pelo Mundo. Hoje as duas ramificações mais conhecidas são, Shaolin do Norte e Shaolin do Sul.

Nas regiões frias do Norte da China o solo é duro, permitia mais estabilidade quando se utilizavam pontapés. Por isso, os estilos do Norte enfatizam o uso das pernas, movimentos acrobáticos e técnicas de luta no solo (imobilizações). Por outro lado, nas regiões mais quentes do Sul, o solo era mais macio, muitas vezes húmido, fazendo dos pontapés uma tarefa mais complicada. Como resultado, as técnicas do Sul enfatizam posturas mais baixas e técnicas mais aprimoradas com as mãos.

É difícil precisar quando estes exercícios se tornaram “Arte Marcial”. O Templo de Shaolin encontrava-se numa área fechada, porém, era uma possível passagem de bandidos em fuga ou viajantes. Além do mais, muitos animais selvagens eram frequentemente tidos como problema.

Após alguns anos, esses movimentos foram codificados num sistema de defesa pessoal e com o passar do tempo, esta vertente budista passou a ser mais distinta das outras devido aos estudos das Artes Marciais. Isto não quer dizer que Damo inventou as Artes Marciais.

Líderes imperiais e regionais temiam o poder das Artes Marciais que nem sempre eram Monges de Shaolin. Muitos refugiados permaneciam no Templo de Shaolin, onde desenvolviam as suas técnicas e ensinavam a outros monges, entretanto, começaram a deixar o Templo para ir ensinar noutros Templos Taoistas ou Budistas. Devido ás circunstâncias, novos Templos de Shaolin surgiram (Fukien, Kwangtung) ou se convertiam de outros já existentes (Wu-Tang, O Mei Shun). A rebelião dos “Boxers” em 1901 foi o início da decadência do Templos de Shaolin.

No início, a China foi ocupada pelo Oeste, depois, pelo Governo Japonês e interesses estrangeiros. Os ingleses tornaram a família imperial num regime impotente de “marionetas” através de uma larga escala de importações e venda de Ópio. Esta devastação, provocada pela droga (ópio), atingiu a pobre população. Isto possibilitou à incursão devastadora de outras potências europeias, incluindo a Rússia, França, Holanda e mais tarde o Japão e os E.U.A.

A China estava definitivamente dividida em zonas nacionais, cada uma controlada por um dos “donos” externos. A longa e permanente animosidade entre China e Japão piorou e estendeu-se, incluindo todos os outros “demónios estrangeiros”. Em conjunto com o mais universal desprezo dos chineses e sua (então no poder) Imperatriz, nascia um movimento nacionalista com fortes raízes populares (mais tarde os nacionalistas refugiaram-se para a actual Taiwan e fundaram o Kuoshu “arte nacional”). Acompanhando os soldados na linha de frente estavam alguns lutadores pertencentes à nova “ordem” onde os legendários artistas das artes marciais eram (muitos Shaolins) conhecidos como boxeadores (como Bruce Lee que nos seus filmes, mencionava esta época e se intitulava como boxeador chinês).

O que é então o wushu? É uma técnica composta pelo Taolu e pelo Sanda que se dedicam, paralelamente, às manobras e modelos das artes marciais e às técnicas de combate moderno. O que significa que usa a maior parte das técnicas chinesas de luta, incluindo o uso de armas. Wushu, cuja tradição literal é mesmo arte marcial, é hoje praticado em exibições e competições, e espera mesmo vir a ser considerada futuramente uma modalidade Olímpica.