Shifu Paulo José da Silva,

Revista LNKF: Onde e quando você nasceu?

Presidente: Eu nasci em 16 de Setembro de 1959 na cidade do Cabo - Estado de Pernambuco.

Revista LNKF: Qual é sua opinião sobre as artes marciais e como iniciou sua prática nelas?

Presidente: Todas as artes marciais são boas desde que sejam praticadas e ensinadas corretamente. Eu particularmente comecei treinando Karate em 1973 e Kung Fu em 1978.

Revista LNKF: Porque preferiu o Kung Fu sobre outras artes marciais?

Presidente: Passei a praticar Kung Fu quando vim da minha terra natal (Recife) para morar em São Paulo, foi quando assisti uma apresentação de Kung Fu com mestre Miguel de Luca. O que vi me impressionou muito tanto, que no dia seguinte comecei a praticar o Kung Fu.

Revista LNKF: O que o Kung Fu mudou em sua vida?

Presidente: O Kung Fu mudou muitas coisas na minha vida, quando comecei a treinar Kung Fu percebi que era bem diferente das outras artes marciais que havia aprendido antes, tanto na disciplina quanto na parte física e mental e mesmo na minha vida cotidiana.

Revista LNKF: A respeito dos estilos e armas de Kung Fu, qual você prefere? Por quê?

Presidente: Eu gosto muito dos dois estilos de Kung Fu que ensino atualmente - Hung Gar e Pak Hok. Para mim são os melhores sistemas de Kung Fu que existem. Em todo os aspectos são muitos mais profundos que os outros estilos. Vem diretamente do mosteiro Shaolin e foi passado de geração a geração sem mudanças. Contém tudo: Boneco de madeira (Mudjong), técnicas de saltos, socos, chutes, torções (Chin Na), armas, formas (Taolus), trabalho interno, medicina chinesa, dança do leão, exatamente tudo. A história do Hung Gar e do Pak Hok tem muitas centenas de anos, muito mais antiga que os outros estilos. Eles preparam para a habilidade de lutar e para uma longa e saudável vida. Apesar de cada um deles ter suas próprias características, ambos combinam velocidade e força com graça e beleza. A arma que eu gosto mais é o facão chinês porque tem como analogia o tigre.

Revista LNKF: O que é para você ser um Mestre de artes marciais?

Presidente: Mestre não é um título que se compra, mas que se conquista dia após dia. Ser mestre para mim é ter humildade para reconhecer e aceitar que se está errado e que não temos todas as repostas, ter sabedoria para usar as palavras certas na hora certa ou até mesmo manter o silêncio e respeitar todas as criaturas.

Revista LNKF: Que função social cumpre a academia que você criou? As pessoas a vêem assim? Quantos anos de existência têm sua academia?

Presidente: A minha primeira academia foi fundada em 1982. A minha escola tem uma longa história e reputação de formar bons instrutores e cidadãos exemplares, ganhando assim o respeito dos membros da comunidade de artes marciais de todas as partes do país e do mundo.

Revista LNKF: Como você considera o Kung Fu no Brasil?

Presidente: O Kung Fu no Brasil está crescendo muito, chegou aqui nos anos 60 e hoje é considerado um dos maiores países em quantidade de praticantes e em participação em eventos internacionais.

Revista LNKF: Quais os países que você já conheceu?

Presidente: Já viajei para vários países para representar o Brasil em campeonatos internacionais de Kung Fu, como por exemplo, a Argentina, Chile, Venezuela, Peru, Turquia, Suíça, Estados Unidos e China. Talvez fui o primeiro Mestre brasileiro de Kung Fu que conheceu e visitou várias cidades e províncias do Sul da China (Guangzhou, Foshan, Shantou, Xiamen, Quanzhou, Guangdong, Fujian e Hong Kong) e vários Templos Shaolin de artes marciais e Templos religiosos budistas (Templo Shaolin do Sul, Museu de Wong Fei Hung, Chin Woo Athletic Association Foshan, Museu de Bruce Lee, Templo Shaolin do Sul de Fukien, Instituto de Wushu de Guangdong, Templo Nan Pu Tuo Si) e outros.

Revista LNKF: Gostaria que você nos falasse mais um pouco de sua viagem a China.

Presidente: Como citei anteriormente, conheci e visitei várias cidades e Templos Shaolin no Sul da China. Isso foi uma experiência muito gratificante para mim, pois, tive a oportunidade de participar de um treino especial de 2 horas com os monges do Templo Shaolin do Sul - Quanzhou, onde fui colocado em teste de resistência com um dos monges, ambos na posição de montar a cavalo por 10 minutos como mostra a foto. O jovem monge só conseguiu ficar na posição por 6 minutos, enquanto eu estava lá firme até completar os 10 minutos. Então, isso para mim foi mais que um teste, foi uma prova de dedicação, força de vontade e muita determinação, o que garantiu minha vitória contra o monge nesta competição de resistência. Participei também do Seminário Internacional de Hung Gar ministrado pelo meu Mestre, Sigung Chiu Chi Ling, realizado no Museu de Wong Fei Hung em Foshan. Além disso, aos 48 anos de idade, competi no Campeonato Mundial de Kung Fu em Hong Kong (2008 Hong Kong 1st World Top Kung Fu Championship), onde conquistei 3 medalhas (Ouro, Prata e Bronze) na categoria de formas de mãos livres e com armas, realizado no 21 de Janeiro de 2008. Também participei do exame de graduação de Kung Fu Hung Gar realizado na Academia matriz do Grão-Mestre Chiu Chi Ling em Hong Kong e fui promovido à Sifu (Mestre).

Revista LNKF: Qual a diferença que você encontra no artista marcial que regressa da China?

Presidente: O artista marcial que vai a China volta com novas experiências e tem a oportunidade de conviver com uma cultura que é totalmente diferente da nossa. A China é o berço do Kung Fu e espalhou grandes mestres por todo o ocidente, então, hoje não é mais necessário ir à China para se aprender um Kung Fu autêntico.

Revista LNKF: Com respeito a seus Mestres, nos poderia contar a

Presidente: Para mim é uma emoção muito grande falar dos meus mestres, em 1973 comecei a praticar Karate com o Sensei Kawamura em minha terra natal, foi ele quem me ensinou os primeiros passos nas artes marciais. Em 1978, já em São Paulo, comecei no Kung Fu com o Mestre chileno Miguel Angel de Luca que foi como um pai para mim. Em 2000 conheci o Grão-Mestre Chiu Chi Ling do estilo Hung Gar, nos Estados Unidos, que me acolheu como seu discípulo de 1ª linha, essa foi a maior conquista de toda a minha vida marcial.

Revista LNKF: Pra você, o que deveria ser feito para melhorar a estrutura marcial a nível institucional em nosso país?

Presidente: Eu sempre trabalhei em prol do desenvolvimento do Kung Fu no Brasil, em 1989 ajudei a fundar a Federação Paulista de Kung Fu Wushu onde atuei como diretor de relações públicas e delegado especial da cidade de São Paulo durante 15 anos. Agora como presidente da Liga Nacional de Kung Fu - LNKF contribuirei ainda mais para que o Kung Fu se torne cada dia mais forte e mais reconhecido em nosso país. E para melhorar a estrutura marcial a nível institucional no Brasil seria necessário profissionalizar a categoria, assim todos trabalhariam com mais seriedade, pois, aqui ainda há muita clandestinidade do Kung Fu, infelizmente, e dessa forma todos nós, mestres e praticantes, perdemos muito.

Revista LNKF: É verdade que você é um dos maiores organizadores de eventos no Brasil?

Presidente: Com certeza tenho organizado e realizado mais de 50 campeonatos, festivais e seminários de Kung Fu em nosso país, um exemplo disso foi a realização do 1º Campeonato Aberto Paulista de Kung Fu que aconteceu no dia 23 de Novembro de 1980 na Capital Paulista, organizado por mim e pelo meu mestre. Pela Federação Paulista de Kung Fu Wushu organizei mais de 10 Campeonatos Regionais, Paulistas e até Brasileiro. Realizei também Campeonato em Recife - PE, em Natal, Mossoró - RN, no Estado de Goiás e Tocantins. Em Novembro de 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010 venho organizando e realizando a Copa Brasil Internacional de Kung Fu (Intarnational Cup Brazil of Kung Fu), evento esse que desde a sua primeira edição têm sido o maior e melhor campeonato de Kung Fu do Brasil e da América do Sul, contando com a participação de quase todos os Estados brasileiro e diversos países, além da participação de grandes mestres internacionais e nacionais. Aproveitando a ocasião convido desde já a todos os mestres, professores e alunos a participarem dos próximos eventos da Liga. Mais informações estão disponíveis no site da Liga Nacional de Kung Fu: www.liganacionalkungfu.com

Revista LNKF: Você começou no Kung Fu de uma maneira muito tradicional. O que, exatamente, isso significa?

Presidente: No Kung Fu tradicional o mestre se assegura de que seus discípulos tenham um senso de moral bem forte. Somente assim ele começará a aprender os segredos do autêntico Kung Fu. Meu mestre Chiu Chi Ling testou muito o meu caráter antes de me passar técnicas mais avançadas.

Revista LNKF: O que, exatamente, você aprendeu de seus mestres?

Presidente: Eles me ensinaram a completa arte do Kung Fu Hung Gar e do Pak Hok, de onde faz parte o Chi Kung e o Chin Na. Além disso, outras tradições como a dança do leão, disciplina, entre outras.

Revista LNKF: Como as pessoas vêem você?

Presidente: Acredito ser benquisto em todo o Brasil e também no exterior. No entanto, algumas pessoas, por não serem capazes de obter sucesso através dos próprios méritos, criticam o meu trabalho. Mas, isso não me entristece porque as críticas, ainda que negativas, nos fazem crescer.

Revista LNKF: Você foi entrevistado e filmado várias vezes. Tem alguma lembrança em particular?

Presidente: Participei de inúmeras demonstrações e entrevistas em várias redes de televisão em todo o Brasil e exterior, tais como: TV Gazeta, SBT, TV Cultura, TV Manchete, TV Record e TV Bandeirantes. Também na TV do Estado de Goiás, Pernambuco, Tocantins, Bahia, Araçatuba - SP, TV Chilena de Santiago e a TV Agentina - Buenos Ares. Fui assunto de matérias em vários jornais nacionais e internacionais, tais como: La Tercera e La Cuarta, do Chile; Jornal do Planalto e Jornal da Tarde, de São Paulo; Jornal do Nordeste Goiano e o Popular, de Goiás e Jornal Impacto de Guararapes - SP. Fui Capa da Revista Brazil Sports, Revista Zen, Revista Técnica e Revista LNKF. Tenho matérias publicadas nas revistas: Kiai, Combat Sport, Impacto, Zen, Top Fight, Inside Kumite, Trump, Shaolin Gong Fu, Fighter Magazine, Brazil Sports, Técnica e Revista LNKF. Sou autor do livro O Segredo do Kung Fu Pak Hok lançado em Dezembro de 2002. Esses são momentos que eu sempre me lembro.

Revista LNKF: No início da nossa entrevista você mencionou o trabalho interno. Você quis dizer Chi Kung?

Presidente: Sim. Trabalho interno é parte do nosso Kung Fu Hung Gar desde o início até o mais alto nível. Entretanto, muitos principiantes não sabem disso porque nem todos os mestres e professores de Kung Fu aprenderam essa milenar técnica chinesa.

Revista LNKF: Você disse que atualmente ensina dois estilos de Kung Fu: o Hung Gar e o Pak Hok. Conte-nos um pouco sobre esses dois estilos.

Presidente: O primeiro estilo de Kung Fu com o qual tive contato foi a Garça Branca. Até então, eu conhecia somente o Karate. O que me atraiu no estilo Garça Branca foi sua agilidade e leveza dos movimentos, ao contrário do que eu estava acostumado a fazer no Karate. E foi enquanto praticava esse estilo que conheci o Hung Gar, porque ambos são completos e nos dois estilos se aprende técnicas dos cinco animais simbólicos de Shaolin que são a garça, o tigre, a serpente o dragão e leopardo. E o que me chamou a atenção no estilo Hung Gar foi a agilidade e a força empregada nos golpes. Embora já soubesse algumas técnicas de Hung Gar, eu queria conhecer mais sobre o estilo, foi quando decidi praticá-lo para obter um conhecimento mais profundo, já que esses dois estilos se complementam, pois um é ágil e leve e outro é ágil e forte.

Revista LNKF: No seu site, que, aliás, vamos divulgá-lo aqui porque está muito informativo tem uma página dedicada as suas filiais. Qual a importância dessas filiais para você?

Presidente: Realmente o site está bastante informativo. A minha intenção desde o primeiro dia em que o site foi para o ar foi a de levar o máximo de informações possível a todas as pessoas que o acessassem. Com relação as minhas filiais, elas definitivamente são importantes para mim porque foi a maneira que eu encontrei de poder levar os estilos Pak Hok e Hung Gar para alguns dos vários Estados do Brasil, já que é humanamente impossível estar em todos esses lugares ao mesmo tempo. Além disso, através dos meus alunos que já são professores, as pessoas têm a oportunidade de conhecer e praticar os nossos estilos.

Revista LNKF: Em quais Estados você tem filiais?

Presidente: Atualmente tenho filiais no Estado de Goiás, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Bahia e várias cidades do interior de São Paulo e na Capital.

Revista LNKF: Estando as suas filiais distantes de você, como você ensina aos seus professores?

Presidente: Freqüentemente os meus alunos vêm a São Paulo para fazer aperfeiçoamento das técnicas ou aprender técnicas novas, mas quando isso não é possível, eu vou até eles.  Porque meu objetivo é passar o conhecimento dos meus 34 anos de experiência para meus alunos. O Kung Fu que ensino tem muitos níveis. Eu tento mostrar a eles a direção no caminho. Eu os oriento, dou informações e mostro as aplicações práticas. Tudo que ajuda a acelerar o processo de aprendizado.

Revista LNKF: Deseja dizer algo mais?

Presidente: Quero aproveitar esta oportunidade para dizer que sigam aperfeiçoando seus conhecimentos dia-a-dia. Acredito que minha experiência impressa nesta entrevista seja de grande utilidade para todos os praticantes das artes marciais. Gostaria de parabenizar meus alunos (professores/representantes) pelo excelente trabalho que vêm desenvolvendo em prol do nosso Kung Fu e de nossa escola. Obrigado.

Revista LNKF: Obrigado por esta detalhada entrevista. Tudo de bom para você.

Presidente: Obrigado a vocês e tudo de bom para vocês também.

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